Tuesday, January 03, 2006

Um post temporário

Meus queridos,

Eu sabia que o Recomeçar tinha muitas visitas. Eu sabia que vocês gostavam de me ler. Eu sabia que iam ficar tristes com este fim. Mas nunca, nem nos meus melhores sonhos, esperei ter quase quarenta comentários. Estou absolutamente sem palavras, e olhem que isso em mim não é fácil. Não é mesmo.

Tudo o que aqui li desde o encerramento do blog tocou-me especialmente...tanto que eu, que ja havia decretado o fim desta página, que jurara não mais escrever aqui, depois de ler quase quarenta palavras de honra todas tão queridas, tão sensiveis, tão Amigas...não resisti a deixar-vos mais um post. Este é temporário...não ficará aqui para sempre como todos os outros e será em breve apagado. Porque é um post que serve apenas para vos agradecer o que me escreveram...e para vos dizer que o Recomeçar fechou mesmo a página, o ciclo encerrou-se, não tem mesmo regresso possivel pois o próprio nome dele já nem se justifica. MAS já estou a preparar-me para um novo blog...será diferente deste, terá outro nome, outras vivências, talvez até um registo diferente...mas sempre com a minha mão por trás. Esta é a forma que encontrei de vos dizer que em breve regressarei, só ainda não sei quando...e será aqui mesmo no Recomeçar que vos direi o novo endereço, para que possa depois continuar a contar com todos vocês como contei nestes 8 meses que passaram. Por isso vão passando por aqui de vez em quando...que eu em breve dou-vos a minha nova morada.

Peço-vos que até lá não me esqueçam. Eu não vos esqueço com certeza.

Um beijo do tamanho do mundo para cada um de vocês.

Wednesday, December 28, 2005

Enfim, o Fim

No dia 27 de Abril de 2005 iniciámos juntos uma caminhada. Não sabiamos se seria longa, se seria curta, não sabiamos sequer se seria alguma coisa. Criei-te a partir de uma qualquer página internacional...fui seguindo os passos sem saber muito bem no que aquilo ia dar, afinal eu era virgem nestas coisas da blogosfera. Lembro-me que chegou a altura de te dar o nome e não foi fácil...todos aqueles que eu queria já existiam. Andei ali num jogo de palavras até chegar a um que compactasse na perfeição aquilo que tu irias significar para mim. Foi assim que te chamaste Recomeçar. Porque era assim que eu me sentia, a Recomeçar.

Iniciei-te com um post dedicado a alguém que foi realmente importante na minha vida. Alguém a quem no fundo se devia o meu Recomeçar. Hoje ao reler esse post não vejo mais do que um passarinho com as asas muito feridas por trás de cada uma daquelas palavras. Entretanto o passarinho de uma maneira ou de outra cresceu...não levantou vôo ainda mas pelo menos tem as asas preparadas para o fazer. E hoje é o primeiro passo nessa direcção.

A partir daí seguiram-se 150 posts, 150 sentimentos, 150 desabafos...aqui, em ti, nas tuas páginas, escrevi muito do que me ia no coração. Aqui dei asas a uma das coisas que melhor sei fazer na vida, que é escrever. Aqui libertei-me muitas e muitas vezes.

No inicio eramos só nós. A seguir vieram alguns amigos, poucos. Lentamente o numero foi aumentando. E um dia, sem eu saber bem como, abriste as tuas portas para o mundo...e aqui passámos a receber, eu e tu, uma quantidade de gente maravilhosa. Com uns foi apenas um reencontro, com outros foi um conhecer de novo. Mas todos, todos os que aqui passaram, todos os que nos comentaram...todos eles souberam sempre deixar-nos as palavras certas, no momento certo. E jamais encontrarei palavras para lhes agradecer.

Olho para trás e relembro uma serie de posts...uns tão ridiculos como o do esquilo e o das penas de pato do edredon, outros bem mais sérios, bem mais marcantes como aquele que dediquei ao meu Pai, ou aquele que dediquei à Margarida...ou ainda aqueles em que falei de amor, dos velhinhos, dos animais. Todos eles tiveram a sua importância na altura.

Sei que deixaremos saudades. Sei que aqui despertámos muitas emoções. Sei que aqui tanto choraram como riram à gargalhada. Sei disso tudo. Mas sei também que tudo na vida são ciclos e que todos os ciclos se fecham. Uns custam mais a encerrar que outros e tu, meu blog, serás dos ciclos mais dificeis de fechar acredita. Mas...chegou a altura. Não sei explicar porquê mas no mais intimo do meu ser sei que chegou o momento de te fechar...e ir recomeçar, desta vez sozinha, desta vez sem ti por trás para me apoiar. Sabes que tem que ser assim. Eu sei que sabes. Mas custa na mesma e é com lágrimas nos olhos que te escrevo pela ultima vez. Foste muito importante para mim...trouxeste de novo para a minha vida pessoas que eu pensava estarem perdidas e que se revelaram cruciais no meu processo de recomeço. Sentirei falta delas, acredita...mas a vida é mesmo assim e às vezes é preciso saber dizer apenas adeus. E é isso que faço hoje, 8 meses depois de te ter iniciado.

Curiosamente a mim, que nunca me faltaram palavras nas tuas páginas, faltam-me agora as necessárias para te dizer adeus. Não sei como o fazer...não sei como me despedir de ti e de todos os que nos acompanharam...não sei mesmo...resta-me dizer apenas uma palavra que resume tudo aquilo que sinto neste momento: OBRIGADA. Obrigada por tudo, tudo, tudo o que me escreveram...obrigada por cada uma das vossas palavras de honra...obrigada aos que nunca comentaram mas sempre me leram...obrigada por me ouvirem tão bem desse lado do computador.

Eu vou-me...está na minha hora. Deixarei o Recomeçar aberto mais uns dias para que se possam despedir se assim o entenderem e sei que o vão fazer...e fiquem certos que comigo vai já uma enorme saudade deste cantinho virtual.

Prometo continuar por aqui...algures na blogosfera.

Adeus meus queridos. Foi uma verdadeira Honra receber-vos aqui.

Tuesday, December 27, 2005

Ora bem...

...uma perguntinha prática à qual tenho muita esperança que alguém me consiga responder

Quero imprimir este blog todo. Há alguma maneira de compactar isto tudo em algum lado, pronto para impressão?

E no dia em que o fechar, como faço para fechar definitivamente?

Afinal são duas perguntas ehehehe.

Alguém me responda pleeeease.

Beijos

Ufa mais uma etapa ultrapassada

E lá se passou o Natal. Honestamente pensei que me fosse custar menos. Sabia à partida que era mais uma data difícil de superar, mas não pensei que fosse tanto. As recordações de outros natais ganharam força e inevitavelmente fui invadida por uma tristeza quase avassaladora em alguns momentos do dia 25…tentei e acho que consegui não passar isso para a restante família, que afinal não têm culpa de nada, mas acreditem que momentos houve em que só me apeteceu desaparecer, sair dali, regressar a Lisboa, fugir das lembranças do Natal do ano passado, ainda tão recentes na minha memória.

Comecei os festejos dia 23 à noite…era suposto ter ido para o Norte logo no dia 23, mas a meio da semana decidi ligar à minha prima e desafiá-la para irmos festejar o “Natal das Primas” no dia 23 à noite e seguiríamos de comboio para cima no dia 24. Festejar o “Natal das Primas” equivaleu a irmos jantar fora as duas e depois seguir para o Jézebel, sitio onde tenho passado a maior parte dos meus fins de semana (para quem não sabe é uma discoteca no Estoril). E assim foi, lá fomos as duas jantar e sair…acabei por combinar com mais uns amigos meus no Jézebel para fazermos um brinde de Natal e a noite acabou por ser fenomenal. Como ficámos no Jézebel até fechar, e depois ainda fomos tomar o pequeno almoço com os tais amigos, o resultado foi irmos directas para Santa Apolónia apanhar o comboio, pelo que como podem imaginar dia 24 eu estava podre, segundo o meu pai “dormia por tudo quanto era lado” e nos momentos em que estava acordada só maldizia a minha ideia do “Natal das Primas”. Mas valeu a pena, isso valeu…e quanto mais não seja o cansaço impediu-me de pensar no que não devia pelo menos dia 24.

Mas dia 25…pois, dia 25 eu já estava recuperada, já tinha dormido tudo. E as memórias foram chegando. Memórias dos últimos 4 natais em que o tive ao meu lado, em que era verdadeiramente feliz, ou pelo menos pensava ser. Talvez porque no Natal de dia 25 somos menos, a ausência dele fez-se notar muito, quase que o conseguia ver em cada canto da casa, em cada momento da noite…ao jantar, a seguir ao jantar, na troca de presentes. Fui disfarçando sempre mas foram alguns os momentos tristes que me fizeram literalmente suspirar de alivio quando finalmente no dia 25 à noite me deitei e pensei “acabou”. Sei que para o ano não será assim…sei que este ano tinha que ser assim, pois foi o primeiro Natal sem ele. Quando se vive com uma pessoa muito tempo e há uma separação, algumas datas são difíceis de passar, mesmo quando o sentimento desapareceu há muito. São as “primeiras vezes” com eu lhe chamo…o primeiro aniversário, o primeiro Verão, as primeiras férias, o primeiro Natal. Tudo assume contornos dolorosos, porque as memórias vêm ao de cima, é normal. O fim-do-ano será a ultima “primeira vez” que terei que ultrapassar, a partir daí tudo o que viver já não será a “primeira vez” sem ele…para facilitar mais esta data vou fazer aquilo que não pude no Natal. Vou fugir. Irei para o Algarve com um grupo giro de amigos e, tenho a certeza, será bem mais fácil de superar. Espero.

Um beijo a todos.

Monday, December 26, 2005

Há um ano atrás...

...o mundo acordou violentemente para uma das maiores catástrofes naturais da história da Humanidade.

Há um ano atrás o ser humano reduziu-se à sua insignificância e percebeu que não há nada que possa fazer capaz de o salvar da Natureza em fúria.

Os meus pensamentos vão hoje para os milhares de pessoas que perderam a vida no tsunami do dia 26 de Dezembro de 2004.

Que estejam em Paz.

Thursday, December 22, 2005

Minha gente...

...já por aqui sabem que este ano estou anti-Natal. Mas como é óbvio não poderia deixar de vos desejar um EXCELENTE Natal e que em 2006 possam realizar alguns dos sonhos que ficaram para trás em 2005.

Para os que passaram por 2005 sem grandes mossas, que o vosso caminho continue a ser plano...para os que tiveram um ou outro sobressalto, bem...temos que acreditar que 2006 será melhor. E será. No fundo do meu coração sinto que será.

Lembrem-se, chegou a altura do balanço. E tudo o que vos posso desejar é que na vossa balança, aquela que está bem guardada em cada um dos vossos corações, o prato das coisas positivas ultrapasse em larga escala o prato das coisas menos boas. Porque só assim a vida vale a pena.

E à meia noite do dia 31...não se preocupem com as passas, as uvas, o subir para cima de uma cadeira, o ter dinheiro nas mãos e todas essas superstições ..nada disso...preocupem-se. apenas, em passar a meia noite com um sorriso na cara...afinal nunca sabemos se nesse momento não passará por nós uma fada que nos congele esse sorriso para o resto do ano.

Façam o favor de ser felizes, que eu por mim vou fazer o mesmo.

Wednesday, December 21, 2005

Diz-se que...

...ontem Portugal parou para saber quem matou o António. Se Portugal parou ou não não sei, mas acredito que sim…antes de mais ressalvo que sempre que pude vi esta excelente produção Portuguesa que nos tem acompanhado nos últimos meses. Acho que não podemos estar permanentemente a criticar aquilo que por cá se faz, é preciso reconhecer as coisas boas…e não restam duvidas que esta telenovela, independentemente de ter sido realizada por um brasileiro, superou qualquer coisa que alguma vez se tenha feito em Portugal, em muito graças ao fenomenal elenco que a integrou. Parabéns à Alexandra Lencastre pelo melhor papel da sua vida.

No entanto toda a envolvente do ultimo episódio desta telenovela fez-me pensar até que ponto tudo aquilo que se criou ontem à volta do Ninguém Como Tu reflecte o estado de espírito do país. Reparem que uma das principais estações de televisão Portuguesas dedicou várias horas, vários directos ao anúncio da exibição do episódio…e de tudo se viu, desde os inquéritos de rua até ao transporte da dita cassete dos estúdios da NBP para a estação da TVI rodeada dos mais altos parâmetros de segurança (pelo menos é isso que anunciavam no site). Agora pergunto…não terá sido “ligeiramente” exagerado? Quer dizer…estarão os Portugueses tão sedentos de fugirem à sua própria realidade que perante um ultimo episodio de uma qualquer telenovela, esquecem-se de tudo e concentram o momento alto do seu dia à volta do suposto assassino do António? Se a TVI fez o que fez, com aquela “mega operação secreta”, é porque tem publico para isso e é isso mesmo que me preocupa…foi-me muito fácil imaginar as centenas de lares portugueses cuja conversa ao jantar ontem foi à volta da pergunta “quem matou o António”…isto não seria tão grave se ontem não tivesse sido também o dia de um dos mais importantes debates presidenciais, com Soares Vs Cavaco..e não será preciso ver o share de audiências para saber qual das estações venceu, é por demais previsível que a maioria dos Portugueses tenha estado ligado na TVI desde as seis da tarde. Faz-me lembrar aqui há uns anos quando um qualquer concorrente de um qualquer realitty show agrediu uma outra concorrente…tendo sido isso a noticia de abertura do telejornal, o que veio a suplantar em muito as audiências do discurso do Presidente da República, que estava a acontecer em simultâneo num outro canal. Desculpem mas acho isto preocupante. Acho deveras preocupante quando a ficção se torna mais importante do que ouvir aqueles que são candidatos a governarem o nosso país. Eu vi o debate, confesso que não fiquei a saber muito mais, mas tive o cuidado de ver…não sou melhor do que ninguém, apenas me pareceu que era mais importante ouvir os candidatos que me querem governar nos próximos 4 anos do que estar a ver a TVI a anunciar constantemente que aquele era o ULTIMO episodio da melhor telenovela de sempre. Desliguei-me da TVI durante o debate e mesmo assim fui mais que a tempo de saber que o assassino do António foi afinal a Guida…e honestamente, não querendo de todo armar-me em boa, acho que era isso que a maioria das pessoas deveria ter feito. Senão com que bases vai esta gente preencher o quadradinho do voto no dia 22 de Janeiro?

Desculpem o tom critico deste post, não me interpretem mal por favor…mas há coisas no nosso pais que ainda me chocam. OK…a telenovela foi boa, foi excelente…OK…foi de facto a melhor produção que se fez em Portugal…OK…todos tínhamos curiosidade em saber quem foi o raio do assassino do outro…mas bolas…não pode ser isso o momento alto do dia. Não pode mesmo. E quando é..então alguma coisa vai muito mal.

Mil beijos

Tuesday, December 20, 2005

Há coisas do caraças...

...imaginem que andei uns dias convencida que tinha um poltergeist em casa. Sim...um poltergeist, aqueles convidados incómodos que ninguém gosta de ter, vulgarmente conhecidos como fantasmas, espíritos, almas penadas e afins.

Tudo começou há uns dias...cheguei a casa e vejo as gavetas todas da cozinha abertas. Achei estranho, como podem imaginar...mas como boa medricas que sou preferi não pensar no assunto e limitei-me a fechar as gavetas, evitando olhar muito à minha volta não fosse dar de caras com um poltergeist muito mal disposto por eu o contrariar na arrumação da minha cozinha.
No dia seguinte pimba...chego a casa e lá estavam o raio das gavetas todas abertas. Mais uma vez fechei-as, mais uma vez ignorando o assunto.


Ao terceiro dia porém já me começou a irritar...afinal quem pensava o poltergeist que era para todos os dias me desarrumar as gavetas...quer dizer uma pessoa chega a casa cansada e ainda tem que ir arrumar coisas que por norma não se desarrumam? Assim, sussurrando uns nomes feios (sussurrando sim que confesso que me faltou coragem de lhe chamar nomes muito alto, com estas coisas é melhor não abusar muito) mas lá fui eu pela terceira vez arrumar as gavetas.
Ao quarto dia pensei que devia realmente ter ficado calada, pois aparentemente o tal do poltergeist não achou piada aos nomes que eu sussurrei (repito...sussurrei) e achou que já não era suficiente abrir as gavetas…não...afinal tinha muito mais piada TIRAR as coisas das gavetas cá para fora...por isso lá andei eu de rabo para o ar a meter tudo no sitio outra vez...mas bem caladinha, desta vez sem lhe chamar nomes, que pelo sim pelo não...


Enfim a coisa continuou...e eu já começava seriamente a pensar chamar um padre para me benzer a casa, até porque às tantas já não eram só as gavetas da cozinha, eram as do quarto também.

Há dois dias descobri que o poltergeist que cá tenho em casa afinal mia e tem quatro patas. Pois é...adivinharam...a Maria pelos vistos fartou-se do passatempo de atirar com a árvore de natal ao chão e dedicou-se agora ao "abre-gavetas-que-é-tão-giro"

Como é que eu descobri? Fácil...a minha gata tem uma lata do caraças e decidiu fazer isso nas minhas trombas. Estava eu a ver televisão calmamente e começo a ouvir uns barulhos estranhos lá dentro (a minha mente entrou imediatamente em curto circuito, no qual piscava insistentemente a palavra poltergeist). Muito a medo lá fui ver o que se passava que eu cá gosto de pensar que sou uma gaja com coragem...para me deparar com a sacana da gata a meter a pata numa das gavetas já entretanto entreabertas...só tive tempo de dizer "MARIA" ao que ela me respondeu em gatês "O QUE É??"...e eu…eu ri-me, o que é que podia fazer mais? Com a figura dela mas especialmente de alivio já que pelos vistos afinal a casa não está assombrada. Não há duvida que o mundo felino continua a surpreender-me…se eu alguma vez pensei que aquela amostra de gato era capaz de fazer tamanha confusão.

Estou para ver quanto tempo vai durar agora a moda das gavetas, estou, estou.

Ninguém quer uma gata não? Tenho para a troca.